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sábado, 18 de abril de 2009

TIPOS DE DOR DE CABEÇA - Cefaléias secundárias

CEFALEIAS SECUNDÁRIAS

A dor de cabeça é um sintoma comum em adultos e crianças, sendo responsável por elevado número de consultas médicas, principalmente neurológicas. Os pacientes freqüentemente associam sua dor à possibilidade da existência de uma patologia potencialmente grave, como tumor ou aneurisma intracraniano. Lembrando que apenas o profissional de saúde especificamente treinado poderá oferecer tratamento adequado para sua dor de cabeça, algumas orientações podem ser úteis.

A Sociedade Internacional de Cefaleias divide as cefaleias em dois grandes grupos. O primeiro compreende as cefaleias primárias, aquelas que constituem em si mesmas a doença. O exemplo clássico é a migrânea sem aura, anteriormente denominada enxaqueca comum, e que atinge aproximadamente 16% das mulheres (para ver detalhes, clique em migrânea). O segundo grupo é formado pelas cefaleias secundárias, que fazem parte do cortejo sintomatológico de uma doença qualquer, seja esta primária do sistema nervoso central ou sistêmica.

Embora as dores de cabeça na sua grande maioria sejam primárias, o risco representado por algumas cefaleias secundárias justifica a preocupação de pacientes e médicos. Há médicos que se interessam de forma especial pelo estudo das cefaleias e sendo chamados de cefaliatras. Na grande maioria dos casos, trata-se de neurologistas. Você deveria consultar um desses profissionais, quando:



  1. a dor for de instalação súbita, principalmente se acompanhada a vômitos, tonturas, alterações da consciência, convulsão;
  2. a dor se associa a transtornos neurológicos, como rigidez de nuca, dificuldades para falar, fraqueza ou alterações de sensibilidade em braço, perna ou face;
  3. a dor se associa à febre;
  4. trata-se da “pior dor já experimentada pelo paciente”;
  5. a dor se iniciou após os 50 anos;
  6. a dor tem caráter progressivo, não respondendo mais a analgésicos;
  7. houver aparecimento de uma dor de cabeça nova e diferente daquela já experimentada pelo paciente;
  8. o paciente encontra-se em tratamento de algum tipo câncer ou de síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA);
  9. há história de queda ou trauma de crânio recente;
  10. quando houver abuso de analgésicos, mesmo naqueles pacientes sabidamente portadores de cefaleia primária (uso de mais de 15 comprimidos de analgésicos por mês, nos últimos seis meses). O uso abusivo de analgésicos é a causa mais comum da transformação de dores esporádicas (tipo migrânea) em cefaleia crônica diária. Esta é uma cefaleia secundária de tratamento extremamente difícil, que requer a suspensão de todo e qualquer medicamento sintomático (analgésico, anti-inflamatório) além de orientação por profissional com experiência em cefaliatria.

Um dos mais importantes estudos populacionais sobre dor de cabeça revelou que as cefaleias secundárias mais freqüentes foram as associadas à ressaca alcoólica e a processos febris comuns como as infecções das vias aéreas superiores (rino-sinusites, faringites, amigdalites, etc). Entre as patologias graves que determinam cefaleia secundária, incluem-se as hemorragias cérebro-meníngeas, as meningites, os tumores cerebrais e os hematomas intracranianos.

TIPOS DE DOR DE CABEÇA - MIGRÂNEA ou ENXAQUECA

MIGRÂNEA ou ENXAQUECA

A enxaqueca é uma doença muito mais comum do que se imagina. Estudos mostram que chega a afetar cerca de 20% das mulheres e 5 a 10% da população masculina. Trata-se de uma doença crônica de alto custo pessoal, social e econômico. Entretanto, é freqüentemente tratada como uma simples dor de cabeça, não chegando a receber os medicamentos específicos, mais eficazes, já disponíveis no país.

A Sociedade Brasileira de Cefaléia preparou este material com o objetivo de facilitar o reconhecimento da doença, levando eventuais pacientes a procurar assistência médica para confirmação do diagnóstico. Além disso, para indivíduos sabidamente enxaquecosos, são apresentadas informações que podem ajudar a diminuir a freqüência das crises e o convívio com a doença.

O que é enxaqueca?

Enxaqueca é uma doença neurovascular que se caracteriza por crises repetidas de dor de cabeça que podem ocorrer com uma freqüência bastante variável: enquanto alguns pacientes apresentam poucas crises durante toda a vida, outros relatam diversos episódios a cada mês.

Uma crise típica de enxaqueca é reconhecida pela dor que envolve metade da cabeça, piora com qualquer atividade física e está freqüentemente associada à náusea, vômitos e desconforto com a exposição à luz e sons altos, podendo durar até 72 h. Um conjunto de sintomas neurológicos, conhecido pelo nome de aura, costuma acompanhar o quadro de dor. Portanto, não se trata de uma simples dor de cabeça.

Como reconhecer a enxaqueca?

Nem sempre o paciente apresenta todos os sintomas típicos de enxaqueca. Entretanto, o médico é capaz de reconhecer a enxaqueca pelo quadro clínico. De qualquer forma, a avaliação médica é fundamental para excluir outras causas de dor de cabeça antes de dar início ao tratamento.

O que é aura?

Aura é o nome que se dá ao conjunto de sintomas neurológicos que, nas crises de enxaqueca, se apresentam geralmente um pouco antes da dor de cabeça. A aura visual é a mais comum. Pode se apresentar como flashes de luz, como falhas no campo visual ou imagens brilhantes em ziguezague. Outros sintomas neurológicos são mais raros.

O que são fatores desencadeantes?

São estímulos capazes de determinar o surgimento de uma crise de enxaqueca nos indivíduos predispostos. Para cada paciente os fatores desencadeantes variam, mas entre eles podemos destacar:

* estresse;
* sono prolongado;
* jejum;
* traumas cranianos;
* ingestão de certos alimentos como chocolate, laranja, comidas gordurosas e lácteas;
* privação da cafeína, nos indivíduos que consomem grandes quantidades de café durante a semana e não repetem a ingestão durante o fim de semana;
* uso de medicamentos vasodilatadores;
* exposição a ruídos altos, odores fortes ou temperaturas elevadas;
* mudanças súbitas da pressão atmosférica, como as experimentadas nos vôos em grandes altitudes;
* alterações climáticas;
* exercícios intensos;
* queda dos níveis hormonais que ocorre antes da menstruação.


É possível evitar as crises?

Sim. A identificação de possíveis fatores desencadeantes das crises é fundamental para obter um melhor controle da doença. Além disso, os pacientes podem tomar alguns cuidados:

* distribuir adequadamente a carga de trabalho, evitando acúmulo no escritório e o estresse de levar trabalho para casa;
* evitar estender o sono além do horário usual de acordar;
* evitar fadiga excessiva;
* fazer as refeições em horários regulares e não “pular” refeições;
* eliminar os alimentos identificados como desencadeantes das crises;
* reduzir a ingestão de café e chá;
* evitar o uso de analgésicos sem supervisão médica;
* evitar exposição a luzes, ruídos e cheiros fortes;
* não se exercitar em dias muito quentes.


Como são tratadas as crises?

As crises podem ser classificadas conforme o grau de comprometimento das atividades cotidianas experimentado pelo paciente.

* Leves: não interferem com as atividades.
* Moderadas: interferem com as atividades.
* Graves: incapacitam o paciente para suas atividades.

As crises leves muitas vezes se resolvem com medidas simples como sono ou repouso. Já as crises moderadas e graves devem receber tratamento medicamentoso, orientado por um médico.


FONTE: Sociedade Brasileira de Cefaléia